R$ 12,6 bilhões perdoados: o trunfo final do Lula com o MEI
Faltando pouco mais de uma semana para o segundo turno, o governo lançou o programa Prospera MEI: perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas acumuladas por microempreendedores individuais com a União, além da concessão de R$ 5 mil em crédito para quem se enquadra no programa.
O timing não é acidental. Essa é uma pauta que a própria oposição historicamente usa para atacar o governo — o endividamento do pequeno empreendedor é discurso recorrente de quem defende menos Estado e menos burocracia. Ao antecipar uma resposta concreta para esse problema específico, a campanha de Lula mira diretamente um público que não é, tradicionalmente, sua base eleitoral mais forte.
Dívida com a União que ninguém paga não é exatamente um ativo: é um passivo que trava o microempreendedor, que não consegue limpar o nome nem acessar crédito em outro lugar por causa dela. Perdoar esse valor não tira dinheiro de ninguém que já tinha intenção de recebê-lo — e tem efeito prático imediato na vida de quem vive na informalidade ou na beira dela.
Some-se a isso o reajuste do Bolsa Família, que cai no calendário bem na semana da votação do segundo turno, com valor em torno de R$ 90 a mais por família. Separadamente, cada medida parece pontual. Juntas, formam uma sequência deliberada de decisões de política pública com data certa para gerar efeito eleitoral.
É válido questionar o timing. Mas também é preciso lembrar que usar a máquina pública para entregar política que favorece a reeleição não é exclusividade de nenhum lado do espectro — é prática antiga, de todos os presidentes, em todos os países com eleição competitiva.
Perdoar dívida de quem nunca teria como pagar não é compra de voto — é reconhecer uma conta que já estava quebrada há anos e só agora alguém decidiu assumir o custo político de zerar.



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