Flávio culpa Lula pelas empresas que fecharam — na Argentina
Em discurso recente sobre o fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro afirmou que o governo Lula teria levado empresas brasileiras à falência e aumentado o endividamento das famílias — um argumento usado para questionar o custo da redução de jornada de trabalho. O problema é a matéria usada como lastro da acusação.
O material citado como prova do colapso empresarial tratava, na verdade, da Argentina sob o governo de Javier Milei — mais de 32 mil empresas fechadas entre novembro de 2023 e julho deste ano, segundo reportagem baseada em dados oficiais argentinos. Milei é, publicamente, uma referência ideológica declarada do bolsonarismo — o que torna a confusão (ou a apropriação) ainda mais reveladora.
Sobre endividamento das famílias brasileiras, o discurso ignorou a existência do programa Desenrola, iniciativa federal já em sua terceira edição voltada justamente para renegociação de dívidas de pessoas físicas — política pública criada no atual governo, não anterior a ele.
Há ainda uma contradição interna no próprio discurso: Flávio afirmou que o PL vai votar a favor do fim da 6×1, mas em seguida atribuiu ao governo a conta futura de compensar empresários pela medida — tentando, ao mesmo tempo, apoiar a pauta publicamente e descolar o próprio partido de qualquer custo político dela.
Votar a favor em público e distribuir a conta em privado é manual clássico de quem não quer brigar com a pauta popular, mas também não quer brigar com quem financia a campanha.



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