O plano econômico do Flávio é a tesoura do Milei: o que está em jogo nos 200 bilhões de corte prometidos
Por trás do debate mais espetacularizado da campanha — ameaças, vídeos, fofoca de bastidor —, tem um número que afeta diretamente o bolso de quem vive de programa social, aposentadoria ou salário mínimo: a proposta econômica da campanha de Flávio Bolsonaro mira um corte de cerca de 200 bilhões de reais no orçamento federal, inspirada abertamente no modelo aplicado por Javier Milei na Argentina.
A diferença de discurso é sutil, mas reveladora: enquanto Milei ficou conhecido pela motosserra, a campanha de Flávio prefere o termo tesoura — mesma lógica de corte, embalagem mais suave. O problema é que corte de 200 bilhões não sai do nada: segundo o que foi levantado no programa, as áreas mais prováveis de impacto são justamente os programas que sustentam quem tem menos — Farmácia Popular, BPC, Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos e o mínimo constitucional obrigatório em saúde e educação.
Um detalhe técnico que costuma passar despercebido do grande público é a tal desindexação do BPC do salário mínimo — nome burocrático pra uma mudança que, na prática, desatrela o Benefício de Prestação Continuada do valor do salário mínimo, abrindo espaço pra reajustes menores no futuro. É o tipo de medida que não aparece em propaganda de trinta segundos, mas que tem efeito direto e duradouro em quem depende desse benefício pra sobreviver.
Vale o contraponto: cortar gasto público não é, em si, uma ideia absurda — qualquer governo precisa fazer escolhas orçamentárias. A pergunta que fica em aberto é de onde, exatamente, vêm os 200 bilhões, e se o discurso de campanha vai ser transparente sobre quem paga essa conta quando (e se) o plano sair do papel.
Prometer corte de gasto é fácil enquanto é só número em discurso — o difícil é explicar, com nome e sobrenome de programa, quem perde o quê, e esse é exatamente o debate que a campanha de Flávio ainda não topou ter em detalhe.



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