O canal caiu, voltou, caiu de novo: a novela do Exército Lula no TSE
Em menos de 24 horas, o canal “Exército Lula” — registrado oficialmente como canal de campanha do presidente, com mais de 4,4 milhões de inscritos — saiu do ar, voltou, e foi suspenso de novo. Cada etapa teve uma justificativa técnica diferente, e cada justificativa foi contestada por instâncias diferentes dentro do próprio TSE.
A primeira decisão, do ministro Cássio Nunes, mandou o canal sair do ar. Horas depois, o corregedor da Justiça Eleitoral derrubou essa decisão e restaurou o canal. Na sequência, veio uma nova ordem, agora alegando que o registro do canal como propaganda eleitoral teria sido feito fora do prazo — e o canal voltou a ser suspenso, dessa vez por 48 horas.
O detalhe que não pode passar batido é quem assina essas decisões. Cássio Nunes é o mesmo ministro apontado em investigações que o ligam a Daniel Vorcaro, banqueiro no centro do escândalo do Banco Master e do desvio de recursos do INSS. E Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, também aparece mencionado nessas mesmas investigações.
Não é preciso acusar ninguém de nada para notar o problema: um ministro com proximidade documentada a pessoas investigadas, tomando decisões que prejudicam diretamente a comunicação digital do adverspolítico dessas mesmas pessoas, é uma situação que deveria, no mínimo, acender um alerta de conflito de interesse.
Enquanto isso, o canal segue crescendo. Toda vez que é derrubado, ganha inscritos novos — prova de que medida de censura, quando é percebida como injusta, produz o efeito contrário ao pretendido.
Derrubar um canal de 4 milhões de pessoas não apaga a audiência — só mostra para ela quem decidiu que ela não deveria ser ouvida.



Publicar comentário