Léo Grandini: “a gente precisa falar a língua da direita nas redes”
O deputado estadual eleito Léo Grandini, 26 anos, foi direto ao ponto na entrevista: a esquerda não vai vencer o segundo turno falando só para quem já está convencido. Para ele, a virada nas pesquisas — de um empate técnico a favor de Flávio Bolsonaro para um empate praticamente igualado — só vai se consolidar se a campanha de Lula conseguir furar a própria bolha.
O argumento central é estatístico: cerca de 32 milhões de eleitores não foram às urnas no primeiro turno, e outros 9% seguem indecisos. Nenhuma eleição apertada se decide só mobilizando quem já vota. Decide-se indo atrás de quem ainda não decidiu — e, segundo Grandini, esse público não vai ser convencido com o vocabulário tradicional da militância.
A proposta não é copiar mentira nem discurso de ódio, faz questão de frisar. É adotar a estética: linguagem mais direta, mais popular, mais agressiva no tom, menos acadêmica. Cita o próprio trabalho de comunicadores que cresceram fazendo exatamente isso nas eleições municipais e estaduais mais recentes.
Outro ponto levantado foi a necessidade de a campanha migrar orçamento de estrutura física — palco, banner, carro de som — para tráfego pago e produção de conteúdo digital. Para um eleitorado que já decide o voto pelo celular, insistir em formato de campanha analógica é desperdiçar recurso.
Grandini também falou sobre o próprio futuro político: recebeu mais de 122 mil votos na última eleição, mais do que vários federais eleitos, e já projeta uma candidatura a deputado federal no próximo pleito — mas deixou claro que, por ora, o foco é o segundo turno.
Eleição apertada não se vence reforçando quem já concorda. Vence-se entendendo por que quem ainda não decidiu continua em dúvida — e falando a língua dele.



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