Incêndio na UFPE: a ameaça que a Polícia Civil investiga a 15 dias do segundo turno
Na quarta-feira, um incêndio de grandes proporções atingiu a Universidade Federal de Pernambuco, bem em frente à casa de estudantes do campus. Foi o quarto incêndio em oito dias na instituição. Até aqui, poderia ser só uma sequência infeliz de acidentes — se não fosse por um detalhe que a Polícia Civil de Pernambuco decidiu investigar formalmente: mensagens de ameaça recebidas por estudantes, horas antes, fazendo referência direta à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A reportagem, publicada pela Carta Capital, trouxe o conteúdo de uma das mensagens recebidas pelos estudantes: «Vamos explodir o departamento de vocês. Segundo turno é Flávio. Nosso ato vai vir mais forte e não vai ser só amor igual a de vocês, esquerdistas de merda. Se arrependam e dobrem os joelhos seus acéfalos. Fiquem espertos com a bomba.» É esse o texto que motivou a abertura de investigação.
É preciso ser preciso aqui: não existe, até o momento, confirmação de que a ameaça e o incêndio tenham a mesma origem. A Polícia Civil está apurando a causa do fogo, e nenhuma autoria foi estabelecida publicamente. Tratar a coincidência temporal como prova definitiva seria um erro — mas ignorá-la, fingir que mensagem de ameaça com conteúdo específico de explosivo, seguida de incêndio real no mesmo local, não merece investigação séria, seria um erro ainda maior.
O que já está fora de dúvida, independente da apuração sobre o incêndio, é que a mensagem em si configura ameaça — e ameaça é crime, com ou sem incêndio depois. Vale registrar que, na mesma semana, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declarou publicamente que incitar um assassinato sem que ele se concretize não seria crime — afirmação que contraria diretamente o que estabelece o Código Penal brasileiro sobre incitação ao crime, independente do resultado.
O episódio da UFPE acontece no mesmo momento em que universidades de várias regiões do país relatam aumento de tensão política dentro dos próprios campi, com episódios de intimidação relatados por estudantes de diferentes correntes ideológicas — um retrato de quão aquecido ficou o clima institucional nas últimas semanas antes da votação.
Investigação de incêndio leva tempo e precisa de prova técnica. Mas uma mensagem de ameaça com data, hora e conteúdo específico não precisa esperar laudo pericial nenhum pra ser levada a sério — precisa só de vontade de apurar.



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