Um ano de espera: a novela da escala 6×1 chega ao Senado
Depois de mais de um ano tramitando sem prioridade, a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 deve finalmente ir a votação no Senado. O texto, que susbtitui a jornada de seis dias trabalhados por um de folga pela alternativa 5×2, tem apoio público amplo e atravessa espectros ideológicos — o que torna sua demora ainda mais reveladora sobre o funcionamento real do Congresso.
Relatos de bastidor indicam que o presidente do Senado não pretendia pautar a matéria neste ano, preferindo empurrar a decisão para depois do resultado eleitoral. A mudança de rota, segundo essas mesmas fontes, veio de articulação direta do Palácio do Planalto — um lembrete de que, mesmo com base fragmentada, o Executivo ainda consegue destravar pautas quando a prioridade é clara.
O caso da 6×1 ilustra um problema estrutural maior: outras pautas de consenso popular amplo — como a desoneração de itens básicos da cesta alimentar — seguem travadas há anos, sem o mesmo empurrão. A isenção do Imposto de Renda até cinco salários mínimos, aprovada recentemente, levou quase três anos de tramitação.
Não são pautas ideológicas no sentido estrito — não criam ministério, não mexem em bandeira identitária — e ainda assim enfrentam resistência de bastidor, geralmente ligada a interesses econômicos organizados e à lentidão natural de um Congresso fragmentado em dezenas de legendas.
Uma pauta que todo mundo aprova e demora um ano para votar não é disfunção pontual — é retrato de um Congresso em que consenso popular pesa menos do que articulação de bastidor.



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