Thiago dos Reis foi eleito sem sair de casa: a campanha 100% feita pelo Instagram
Thiago dos Reis chegou à Câmara dos Deputados sem pisar na rua. Literal: segundo ele mesmo contou na live do Rolê, não saiu do apartamento em que mora para fazer campanha, não discursou em palanque, não distribuiu santinho com a própria mão. Ganhou a eleição em São Paulo inteiramente dentro das redes da Meta — Facebook e Instagram, as únicas plataformas que permitem impulsionamento pago durante o período eleitoral, já que TikTok e YouTube não liberam esse tipo de anúncio.
O raciocínio dele é frio e comercial: gravar um vídeo de casa alcança, no mínimo, algumas centenas de milhares de pessoas; sair na rua para fazer corpo a corpo alcança, na prática, uma ou duas mil pessoas no mesmo período de tempo. Como quem trabalha com anúncios digitais desde 2011, ele mesmo editava os vídeos, escolhia os públicos-alvo por idade e região, e testava mensagens — uma pauta para quem tem mais de 60 anos, outra pra quem está perto da aposentadoria.
O resultado: quarto mais votado do estado, gastando uma fração do que candidatos à frente dele — segundo, terceiro, até o décimo nono colocado — torraram em campanha de rua tradicional. Pelo relato dele, o PT oficialmente não bancou a aposta: verba e material de campanha foram concentrados em nomes sem chance real de eleição, enquanto a estratégia dele seguia sem apoio institucional até dar certo sozinha.
Tem um contraponto que ele mesmo reconhece: perder contato direto com o eleitor tem um custo. Mas ele vira esse argumento ao contrário — hoje recebe mais de dez mil mensagens por dia, com uma equipe dedicada a ler e responder, o que ele considera mais representativo do que uma conversa de trinta segundos num comício.
O caso de Thiago dos Reis é a prova de conceito que a esquerda institucional ainda resiste em financiar: campanha de rua não é mais sinônimo de voto garantido, e quem entender isso primeiro sai na frente — inclusive gastando menos.



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