Quem não se posiciona também se posiciona: o caso Oscar Filho
O apresentador Oscar Filho publicou um vídeo reclamando da pressão que vem sofrendo nas redes para declarar voto no segundo turno, comparando a cobrança a um “cartaz de desaparecido” ao lado de outros famosos que também evitam se posicionar. A resposta que circulou no programa foi direta: ter plateia é diferente de ter obrigação — mas recusar-se a escolher também é, por si só, uma escolha.
O argumento central não é obrigar ninguém a declarar número de candidato. É reconhecer que existe uma diferença entre uma eleição disputada por projetos de governo distintos dentro do jogo democrático normal, e uma eleição em que um dos lados representa risco concreto às regras do próprio jogo. Nesse segundo cenário, a neutralidade declarada deixa de ser isenção e passa a funcionar, na prática, como um voto a favor de manter tudo como está — inclusive o risco.
Vale notar a assimetria de quem está sendo cobrado: motoristas de aplicativo, entregadores, empregadas domésticas, evangélicos com algumas centenas de seguidores — gente comum, sem contrato publicitário em jogo — vem se posicionando publicamente sem pedir desculpa por isso. A cobrança em cima de famosos não nasce do nada: nasce do contraste entre quem arrisca algo pra falar e quem tem mais a perder e prefere o silêncio.
Não cabe decidir por ninguém se declarar voto é a atitude certa. Mas cabe observar que o silêncio de quem tem grande audiência também produz efeito — só que um efeito que não aparece estampado em nenhuma pesquisa.
Ficar em cima do muro é confortável até o muro desabar. Quando a eleição em disputa é sobre as regras do próprio jogo, não escolher também é escolher quem fica em pé depois.



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