O míssil com pedido de bombardeio e a desculpa do infiltrado que não cola mais
Entre as imagens que circularam do ato bolsonarista na Avenida Paulista no último domingo, uma chamou atenção especial: um balão inflável em formato de míssil, estampado com um pedido explícito para que o presidente americano bombardeie o Brasil com armamento nuclear.
A peça não é algo que se compra em qualquer loja: alguém planejou, encomendou a confecção e levou o objeto para o meio da manifestação. Diante da repercussão negativa, a resposta de Flávio Bolsonaro foi atribuir o episódio a infiltrados — mesma explicação usada por ele após os atos de depredação em Brasília, quando manifestantes que se colocaram em risco por sua causa foram descartados publicamente como estranhos ao movimento assim que a imagem ficou ruim.
O padrão chamou atenção de quem acompanha a retórica do próprio Flávio nos últimos meses: há poucos meses, ele próprio pediu publicamente que Donald Trump bombardeasse embarcações na costa brasileira sob suspeita de tráfico. Se o candidato defendeu abertamente um ataque ao próprio território nacional, a pergunta que fica é por que seus apoiadores não poderiam, por lógica própria, pedir o mesmo — só que de forma mais explícita e mais didática, num balão de quase dois metros.
A sugestão levantada no programa é que, em vez de aceitar passivamente a explicação de infiltração, a investigação sobre a origem e os responsáveis pelo material deveria ser aberta oficialmente — expondo perfis em redes sociais de quem segurava o objeto, prática que a própria imprensa independente já pode começar a fazer de forma paralela.
Quando o discurso de guerra contra o próprio país vem do topo da campanha, não é surpresa nenhuma ele aparecer, de forma ainda mais crua, na base.



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