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Cláudia Raia, Fátima Bernardes e o fantasma de 1989 que assombra o bolsonarismo

Cláudia Raia, Fátima Bernardes e o fantasma de 1989 que assombra o bolsonarismo

Entre os movimentos da reta final de campanha, chamou atenção a manifestação pública de apoio a Lula feita pela atriz Cláudia Raia, num vídeo em que ela detalha as razões para declarar voto no presidente — somando-se a outras figuras públicas que vieram a público nos últimos dias, como a jornalista Fátima Bernardes e o ator Zé de Abreu.

O nome de Cláudia Raia carrega um simbolismo histórico específico. Em 1989, no auge da fama nacional, ela foi uma das únicas figuras de peso da classe artística a apoiar publicamente a candidatura de Fernando Collor de Mello contra Lula — ao lado de Marília Pêra e Tereza Raquel. A grande maioria da classe artística brasileira, naquele momento, já estava declaradamente com Lula. Collor venceu aquela eleição; anos depois, seu mandato terminaria em impeachment por corrupção.

Ver Cláudia Raia, décadas depois, posicionada do lado oposto ao que ocupou naquele momento histórico, tem peso simbólico que vai além do voto individual: reforça a leitura de que setores que historicamente hesitaram ou se posicionaram contra o campo popular estão, nesta eleição, fazendo movimento inverso.

A pergunta que fica, lançada no próprio programa, é sobre quem ainda está confortável em cima do muro. O cantor João Gomes, por exemplo, gravou um vídeo emocionado sem declarar voto explicitamente — movimento visto como tentativa de agradar os dois lados numa eleição que, segundo análise do programa, já não deixa mais espaço real para neutralidade.

Em eleições decisivas, até quem tenta não se posicionar acaba, na prática, fazendo uma escolha — só que sem a coragem de assiná-la.

Comentário e análise política do Rolê — transformação em texto, com ângulo autoral, do que é discutido nas lives diárias do programa.

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