O jornalista barrado na Argentina: o que a deportação de Rogério Tomás revela sobre Milei
Rogério Tomás é jornalista brasileiro, vive na Argentina, e hoje colabora com o deputado Paulo Pimenta. Durante a Copa do Mundo, comemorou publicamente a vitória da seleção espanhola sobre a Argentina — e, segundo relatou ele mesmo em mensagens compartilhadas na live do Rolê, passou a ser alvo de perseguição do governo de Javier Milei desde então. No feriado de 12 de outubro, a notícia chegou: visto de residência cancelado, deportação formalizada, proibição de reentrada no país por cinco anos.
O caso ganha peso por dois motivos concretos, não por especulação. Primeiro, o padrão: antes da deportação em si, já havia relatos de policiais argentinos indo atrás de amigos dele em Buenos Aires — o tipo de cerco que normalmente precede uma ação formal, não que vem depois dela. Segundo, o motivo declarado publicamente por ele: além da torcida pela Espanha, ser alguém que critica abertamente Milei nas redes sociais.
Vale registrar o contraponto trazido durante o programa, de uma experiência pessoal do próprio apresentador: em 2021, ainda no governo Bolsonaro, a esposa dele — de nacionalidade polonesa, com toda a documentação regularizada — foi retida e hostilizada pela Polícia Federal ao retornar ao Brasil, episódio que, segundo ele, ainda gera revista extra toda vez que ela entra no país. A comparação não é gratuita: é o mesmo tipo de aparato de Estado sendo usado para hostilizar quem incomoda um governo, em países diferentes, sob bandeiras políticas diferentes.
O que diferencia o caso argentino é a formalidade do ato: não é hostilização informal de fronteira, é cancelamento documentado de visto, com prazo definido de cinco anos, por um motivo que mistura torcida esportiva com discurso político.
Quando um Estado começa a usar controle de fronteira como ferramenta de retaliação a crítica política, o alvo de hoje raramente é o último — é só o primeiro que vira notícia.



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