Flávio vira moleque no debate: como ele perdeu a imagem de moderado em uma noite
O primeiro debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, exibido pela Band na véspera, teve um roteiro que lembrou o que Donald Trump fez contra Hillary Clinton em 2016: Flávio passou boa parte do tempo andando atrás de Lula no estúdio, interrompendo, fazendo caretas e gestos, numa tentativa de desestabilizar o adversário fisicamente, não só verbalmente.
A estratégia, no entanto, saiu pela culatra. Em determinado momento, Lula se virou e disparou: ‘você me respeita, que eu não sou palhaço’. A fala recolocou os papéis em cena — de um lado, o presidente da República; do outro, alguém sendo chamado publicamente, em rede nacional, de moleque. A cena pegou tração imediata nas redes e, segundo análises feitas ainda durante a madrugada, a repercussão entre o público independente foi fortemente negativa para Flávio.
O problema de fundo é estratégico. Durante toda a pré-campanha, o entorno de Flávio tentou construir a imagem de um candidato moderado, distinto do pai — um discurso pensado para atrair o eleitor de centro que hoje decide a eleição. Ao optar pela baixaria, pela interrupção constante e pelas caretas no primeiro grande confronto televisionado, essa fantasia durou poucos minutos. Flávio se revelou, na prática, a continuação do comportamento que sempre quis evitar associar ao próprio nome.
Pior para ele: no momento em que a disputa de acusações realmente começou, foi Lula quem levou vantagem, relembrando episódios que Flávio nunca conseguiu explicar de forma convincente — como os valores milionários movimentados na conta de Fabrício Queiroz, pergunta repetida pelo menos quatro vezes sem resposta satisfatória.
Um debate não se vence só com ataque — vence-se mostrando controle. E foi exatamente o controle que faltou a Flávio na noite em que mais precisava dele.



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