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O Lava Jato da Paraíba: a perseguição política que Ricardo Coutinho carrega até o Congresso

O Lava Jato da Paraíba: a perseguição política que Ricardo Coutinho carrega até o Congresso

Tem políticos que chegam ao Congresso com currículo de gestão. Outros chegam com currículo de resistência. Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba por dois mandatos e agora deputado federal eleito, se enquadra nos dois — mas foi a segunda parte da história que ele decidiu contar primeiro, na entrevista ao Rolê desta quinta.

Coutinho comparou o que viveu na Paraíba a um processo de perseguição judicial e política «tal qual a Lava Jato a nível nacional». É uma comparação forte, carregada, do tipo que não se faz sem intenção clara: colocar a própria trajetória dentro de uma narrativa maior, a de que setores do Judiciário e da imprensa foram usados, naqueles anos, como arma contra lideranças de um campo político específico.

Não é uma afirmação neutra, e tratá-la como fato consumado seria descuidado. Mas também seria descuidado ignorar o padrão que ela evoca: a Lava Jato nacional, anos depois, teve parte de seus métodos questionados pelo próprio STF, com anulações de processos e reconhecimento de parcialidade em pelo menos um caso de repercussão nacional. Coutinho está, na prática, pedindo para ser lido dentro dessa revisão histórica — não como condenado, mas como alguém que pagou um preço político por uma perseguição que, segundo ele, nunca resultou em condenação que o impedisse de voltar à vida pública.

O retorno em si é o argumento mais forte que ele tem. Eleito deputado federal pela Paraíba depois de anos fora do centro do poder, Coutinho usa a própria volta como prova: se a perseguição fosse legítima, ele não estaria aqui. É uma lógica que convence quem já estava convencido e dificilmente converte quem não estava — mas é, também, o tipo de narrativa que qualquer político reconstruído sob suspeita vai repetir, porque funciona como blindagem simbólica antes mesmo de qualquer debate de mandato.

Curiosamente, foi ele mesmo quem definiu o próprio papel no Congresso de 2027: «soldado» de uma batalha que promete ser mais dura do que qualquer uma que ele já travou como governador. A imagem escolhida não é de burocrata, é de combatente.

Toda narrativa de perseguição política carrega um risco: virar escudo permanente contra qualquer crítica legítima que venha depois. Coutinho vai precisar provar, mandato a mandato, que a volta ao poder significa reconstrução — e não apenas revanche.

Comentário e análise política do Rolê — transformação em texto, com ângulo autoral, do que é discutido nas lives diárias do programa.

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