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Ameaça de morte a cada dois minutos: o relato da deputada Annelisa expõe o custo de ser mulher eleita pela esquerda

Ameaça de morte a cada dois minutos: o relato da deputada Annelisa expõe o custo de ser mulher eleita pela esquerda

A deputada federal eleita Annelisa fez uma denúncia que deveria ocupar mais espaço do que ocupa: segundo ela, depois de publicações do deputado federal Nicolás Ferreira, passou a receber ameaças de morte e de estupro com uma frequência tão alta que sua equipe precisou desativar a conta dela no Twitter — a cada dois minutos chegava uma nova mensagem. Ela afirma não ter, até o momento, nenhuma estrutura de segurança montada, e pediu publicamente que, se algo acontecer com ela, as contas de Nicolás Ferreira, Gleitson e Eduardo Azevedo sejam responsabilizadas como fontes da disseminação de fake news contra ela.

É um tipo de episódio que tende a ser tratado como barulho normal de internet, como se ameaça de morte fosse só «discurso inflamado». Não é. E o padrão se repete: mulheres eleitas por partidos de esquerda, especialmente mulheres negras, são alvo desproporcional desse tipo de campanha coordenada — o próprio programa citou o caso da deputada Dandara Tonanzin, que também relatou episódios parecidos durante a campanha.

O ponto mais grave do relato de Annelisa não é a ameaça isolada, é a palavra «coordenado». Quando uma vítima consegue nomear uma sequência de contas específicas como origem do ataque, está descrevendo uma campanha organizada, não um surto espontâneo de ódio de internauta. E campanha organizada de ameaça contra parlamentar eleita é, no mínimo, um problema que caberia a alguma instância de investigação levar a sério — seja a própria Câmara, seja o Judiciário.

Fica a pergunta que o episódio não responde sozinho: quantas outras mulheres eleitas, de menor visibilidade do que uma deputada federal, estão passando pelo mesmo sem ter microfone pra contar?

Ameaça de morte não é parte do jogo democrático, é o oposto dele — e normalizar isso como «o preço de ser político» é abrir uma porta que, uma vez aberta, não escolhe só quem do lado de lá ela vai atingir.

Comentário e análise política do Rolê — transformação em texto, com ângulo autoral, do que é discutido nas lives diárias do programa.

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