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A criança com arma em Parnamirim e o tiro pra cima no Sergipe: o que a violência política normalizada parece

A criança com arma em Parnamirim e o tiro pra cima no Sergipe: o que a violência política normalizada parece

Dois episódios que aconteceram quase ao mesmo tempo, em estados diferentes, mostram uma coisa incômoda: a violência política deixou de ser exceção e virou linguagem corrente em parte do bolsonarismo. No Sergipe, um homem desceu do carro durante um ato pró-Lula e começou a atirar pra cima, em pleno meio da manifestação. Em Parnamirim, Rio Grande do Norte, um menino de 10 anos apareceu em vídeo em cima de um carro com uma arma na mão — e a própria mãe, que se declara bolsonarista, denunciou o pai por expor a criança ao risco.

São cenas de naturezas diferentes — uma é agressão deliberada, a outra parece ostentação de pai pra filho — mas que conversam entre si. Em ambas, a arma de fogo aparece como símbolo de pertencimento político, não como ferramenta de defesa ou trabalho. É o tipo de imagem que, historicamente, vem crescendo junto com o discurso armamentista que ganhou força institucional nos últimos anos.

O que chama atenção no caso de Parnamirim é justamente a reação da mãe. Ela não nega sua própria posição política, mas reconhece que o risco físico de colocar uma criança armada em público — mesmo que a arma seja de brinquedo ou simulacro, como alega o pai — é inaceitável, porque ninguém de fora sabe se aquilo é real até que seja tarde demais. É um contraponto que vale registrar: discordância política não é sinônimo automático de concordância com esse tipo de exposição.

Já o caso do Sergipe é mais direto: um ato público, pacífico por definição, interrompido por tiros de alguém que decidiu que aquele era o jeito certo de reagir a uma manifestação que nem lhe dizia respeito diretamente.

Nenhum dos dois casos, isoladamente, define uma eleição. Mas juntos, formam um retrato de um país em que parte da militância política mais radicalizada já não vê diferença entre discordar e ameaçar — e isso devia preocupar qualquer pessoa, independente do lado que ocupa.

Comentário e análise política do Rolê — transformação em texto, com ângulo autoral, do que é discutido nas lives diárias do programa.

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