Dandara Tonanzin e o Congresso que vem: passe livre, aluguel e a lição da 6×1
A deputada federal eleita Dandara Tonanzin, do PT de Minas Gerais, foi recebida no programa Rolê pra falar sobre o Congresso que começa a tomar forma depois das eleições — e o retrato que ela traça não é dos mais animadores pra quem está à esquerda. Segundo ela, a Câmara que vem tem o Centrão esvaziado, mas a bancada de extrema direita em peso, o que deve transformar boa parte dos embates legislativos em algo mais parecido com uma disputa de valores do que uma negociação de interesses.
O interessante da entrevista não foi o diagnóstico — isso qualquer analista político já repete há semanas —, foi a receita que a deputada apresentou pra reagir a esse cenário. Em vez de focar em pautas identitárias que já têm plateia cativa, ela aposta em bandeiras que, segundo seu raciocínio, colocam a extrema direita contra a parede: congelamento de aluguel, passe livre no transporte e um fundo nacional de mobilidade urbana. Pautas que mexem direto no bolso de quem mora na periferia e que, se forem rejeitadas pelo bloco bolsonarista, expõem na prática quem está do lado de quem.
Pra sustentar a tese, Dandara usa como exemplo o fim da escala 6×1, aprovado com 470 votos depois de meses de tentativa de esvaziamento na CCJ — segundo ela, uma vitória construída de fora pra dentro, pela pressão popular, não por acordo de bastidor. É um raciocínio que faz sentido do ponto de vista de estratégia legislativa: pautas de impacto concreto no dia a dia têm mais força de mobilização do que embates abstratos.
Mas vale fazer a pergunta incômoda: será que esse tipo de pauta realmente desarma o bolsonarismo, ou só desloca o discurso dele pra outro terreno, igualmente hostil? A história recente mostra que setores da extrema direita sabem se apropriar de pautas populares — o próprio discurso antissistema de parte desse campo nasceu prometendo resolver o bolso do trabalhador, mesmo defendendo agenda econômica que faz exatamente o oposto.
A aposta de Dandara é inteligente no papel, mas só vai se provar eficaz se a esquerda conseguir contar essa história com a mesma clareza e repetição que usa a extrema direita — porque pauta boa sem comunicação boa continua perdendo pra discurso simples e raivoso.



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