Ameaça de morte todo dia: por que Thiago dos Reis não anda mais na rua
No meio de uma entrevista sobre estratégia de campanha, Thiago dos Reis fez uma revelação que passou quase despercebida: há cerca de cinco anos, segundo ele, perdeu o que chamou de “direito de andar na rua no Brasil”. Toda vez que aparece em algum lugar público e alguém publica uma foto, a reação de parte do público não é elogio — é alerta. Mensagens pedindo pra ele sair dali, avisando que é perigoso, demonstrando mais medo pela segurança dele do que ele demonstra pela própria.
O relato ganha contorno mais concreto quando ele descreve o cotidiano: evita eventos com grande público, a menos que tenha garantia de ficar isolado em área segura; percebe tratamento pior em restaurantes e bares quando reconhecido por alguém de posição política oposta; e, junto da esposa, convive há anos com esse tipo de hostilidade ambiente, a ponto de simplesmente preferir não sair.
O ponto que ele faz questão de marcar não é vitimismo isolado — é comparação de escala. Outros deputados eleitos, que não construíram carreira nas redes sociais, caminham na rua sem serem reconhecidos. Ele não: o nível de exposição pública que o elegeu é o mesmo que hoje limita sua própria mobilidade.
É um tipo de custo que raramente entra na conversa sobre “política de internet”: a exposição que gera voto também gera alvo. E diferente de um debate sobre estratégia de campanha, não tem como reverter depois de eleito — o nome e o rosto já estão associados a uma posição política que uma parte do país tratou, publicamente, como ameaça a ser neutralizada.
Quando um deputado eleito relata medo de caminhar na própria cidade por causa do próprio mandato, a pergunta deixa de ser sobre ele — e passa a ser sobre que tipo de debate público o país está disposto a tolerar.



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